Autoconhecimento é um aliado importante para o sucesso do trabalho remoto

A Woman Freelancer Working at Coffee Shop
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Certamente, as habilidades de um líder nunca foram tão exigidas e colocadas à prova como nos últimos meses. E para superar os novos desafios impostos pelo cenário de pandemia e isolamento social, que tem exigido de todos diversas adaptações na vida pessoal e profissional, o autoconhecimento é um aliado importante.

O trabalho a distância exige uma liderança ainda mais forte e eficaz para que toda a equipe continue integrada e engajada, independente de onde estiver. E a melhor forma de liderar com sucesso e gerenciar as pessoas é tratando-as como elas querem ser tratadas. Este é o grande “pulo do gato” que compartilharei aqui.

Sabemos que cada pessoa é um ser único, com características, habilidades e jeitos próprios que se destacam ou se escondem diante de determinadas situações. Falando assim parece óbvio, afinal todo chefe conhece os profissionais de sua equipe, não é mesmo? Não.
Quando me refiro a conhecer esses profissionais, não é simplesmente saber quem eles são, quanto tempo estão na empresa etc., e sim algo além disso. Refiro-me a conhecer profundamente os traços da personalidade e a estrutura emocional deles, para que seja possível extrair o melhor de cada um para o bem de toda a equipe.

Mas como fazer isso? O primeiro e mais importante passo é conhecer a si mesmo, pois com a noção da própria personalidade e inteligência emocional o líder consegue abordar cada profissional da forma mais efetiva para que ele se mantenha engajado e motivado, independente da situação que esteja vivenciando.

Uma das formas mais rápidas e eficazes para descobrir sua inteligência emocional e a de seus profissionais é utilizar ferramentas que mapeiam o perfil de uma pessoa e seus traços de personalidade. A partir dessas informações, os líderes conseguem definir como vão lidar com cada profissional, principalmente neste período de isolamento social, que tem exigido ainda mais habilidade para lidar com certas situações.

O Questionário de Inteligência Emocional de Traços (TeiQue) é uma dessas importantes ferramentas e, a seguir, exemplifico alguns dos traços emocionais que podem ser mapeados nessa avaliação e como trabalhar com eles neste momento tão complexo.

Por exemplo, se entre as características de um determinado profissional for identificado Otimismo Baixo, significa que ele terá dificuldades para enxergar os pontos positivos do novo ambiente de trabalho remoto, e seu foco estará nas inconveniências disso. Para evitar que esse traço atrapalhe o dia a dia, a pessoa precisa pensar no lado positivo, se questionando sobre o que a faz se sentir otimista e o que está funcionando melhor do que o esperado, entre outros pontos. Assim, poderá fazer uma comparação entre as metas de processo e as de resultado, e conseguirá aprender com a experiência para que ela possa ser positiva.

Já para o indivíduo que apresenta Autoestima Baixa, os desafios do trabalho remoto são uma dificuldade para superar novas questões. Ele se deixa levar pela falta de confiança, pois está sempre estabelecendo padrões altos e até potencialmente inatingíveis para si próprio. Nesse caso, é preciso reforçar que é aceitável falar não para algumas demandas, que o trabalho não se resume a sucessos e fracassos e que é possível obter melhores resultados quando paramos de tirar conclusões negativas de cada situação.

Os que têm Empatia Alta se mostram demasiadamente preocupados com os outros e não conseguem administrar suas próprias emoções e bem-estar. Para esses, a principal orientação é se autocontrolar para não focar tanto no sentimento alheio e monitorar a energia perdida com problemas de outras pessoas, além de dedicar um tempo para cuidar de si fora do ambiente de trabalho, de maneira a conseguir atenção para se concentrar nas atividades e entregas diárias.

Os indivíduos que apresentam o traço comportamental Relacionamento Alto sentem-se menos conectados com suas redes profissionais e pessoais, podendo procrastinar o trabalho e perder tempo verificando seus contatos. Para esses profissionais, o ideal é pedir que realizem check-ins regulares e participem de reuniões virtuais da equipe, criando para eles oportunidades alternativas de colaboração.

Já quando o funcionário tem Adaptabilidade Baixa, geralmente é avesso a mudanças e novos ambientes de trabalho. Quando isso ocorre, ele pode ficar estressado e ter menor engajamento e produtividade, sendo então aconselhável tentar replicar a rotina do trabalho presencial, lembrando que é preciso estar flexível para planos e mudanças de última hora, e estimulando sempre seu foco e concentração.

Em um último exemplo, cito aqueles que possuem o traço Automotivação Baixa e lutam constantemente para desenvolver motivação interna, uma vez que necessitam de fatores externos para motivá-los – por exemplo, recompensas ou a presença do gestor, que não está disponível remotamente. Esses profissionais precisarão de projetos de longo prazo fracionados em objetivos de curto prazo, contando com uma lista de tarefas e deadlines. Para eles, também valem incentivos e recompensas como forma de comemorar conquistas, sempre que elas ocorrerem.

Com tudo isso, o que pretendo deixar claro é que, se gestores e líderes gerenciarem os indivíduos de maneira eficaz, adequando suas estratégias às diferentes necessidades de seus funcionários, a experiência do trabalho remoto poderá surpreender pelo nível de engajamento e produtividade. O caminho para o sucesso desse novo formato passa obrigatoriamente pelo autoconhecimento, que é capaz de nos levar a conquistas extraordinárias não apenas no trabalho, mas na vida pessoal também.

Anderson Brasil é Trainer da Thomas International Brasil, administrador e pedagogo, especializado em Comportamento Organizacional.

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