17/02/2009
Carreira de Talento

    Estou desempregado há sete meses. Coloquei meu currículo em sites de empregos.

    No dia seguinte, uma agência de recolocação ligou, dizendo que um de seus clientes estava procurando um profissional “exatamente com meu perfil”.

    Paguei uma taxa de inscrição e fiz duas entrevistas durante um café da manhã num hotel cinco estrelas. Os diretores que me entrevistaram garantiram que eu estava praticamente contratado.

    Só que não consegui mais entrar em contato com a agência. Estou desconfiado de que caí numa armadilha. Motta.
    Caiu. Infelizmente, você foi vítima do golpe do emprego. São Paulo é pródiga em agências desse tipo, mas elas estão se espalhando pelo Brasil.

    O problema, para quem foi engabelado, é que o procedimento é imoral, sem dúvida. Mas não há como provar que tenha sido ilegal. Funciona assim: essas agências pesquisam os sites de empregos. E, através dos currículos, escolhem profissionais que tenham ocupado boas funções -  o que significa que eles devem ter algum dinheiro guardado.

    Aí, fazem o contato com a vítima, que é convidada a pagar uma taxa entre R$ 1 mil e R$ 5 mil. Duas ou três entrevistas são agendadas com diretores – que na verdade são picaretas que fazem parte do esquema.

Então, a agência muda o número do telefone, algo simples hoje. E ninguém consegue encontrar os espertinhos.

Tenho 29 anos e só agora vou começar uma faculdade. Como recuperar o tempo perdido? Ailton.
    Você já está fazendo, Ailton. A faculdade é o primeiro passo. Não sei se fala inglês, mas isso também é importante. Porém, tenha em mente que no mercado de trabalho não há atalhos.

    O fato de você concluir uma faculdade aos 33 anos não o colocará numa posição de vantagem, em uma comparação com alguém de 22 anos, que tenha a mesma formação.

    Encare a faculdade – e outros cursos que venha a fazer – não como uma chave que lhe abrirá portas a curto prazo, mas como um seguro profissional para quando você passar dos 40 anos.

    Tenho uma empresa com 28 funcionários. Pago salários, concedo benefícios e procuro tratar todos com respeito.

    Mas todo mês sou surpreendido por pedidos de demissão. Eles saem para trabalhar em empresas maiores, às vezes, até ganhando menos. O que está errado? Maciel.
    Nada, Maciel. Imagino que a maioria de seus funcionários seja composta por profissionais entre 20 e 35 anos.

    Eles saem, mesmo com o prejuízo imediato do salário, para apostar no futuro. Em empresas de dono, por melhor que sejam o ambiente e as condições de trabalho, o teto para uma carreira é sempre baixo.

    Numa grande empresa, as chances de progredir são maiores.