Reflexões sobre liderança: o que podemos aprender com o incêndio no Museu Nacional

Quinta da Boa Vista
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Por Marcelo Souza, Sócio-Diretor do Grupo Soulan.

O recente incêndio que destruiu o Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro, trouxe à tona questões que acabaram indo para o lado político, fato recorrente atualmente em nosso país, já que estamos em período eleitoral. Mas esse episódio também nos leva a algumas reflexões que podem perfeitamente ser aplicadas na gestão de nossas organizações.

De todos os comentários a respeito da catástrofe com o Museu, o que mais me chamou a atenção foi uma frase antiga, porém muito atual: “Um país sem história é um país sem futuro”. Essa afirmação traz uma grande verdade, já que avaliar os erros cometidos em nossa história pode nos ensinar muito, e até mesmo a não voltar a cometê-los ou seja, podemos utilizar a experiência dos outros a nosso favor. Se isso é verdade para um país, porque não seria válido para as empresas?

Em um mercado em constante mudança, aprender com as experiências dos outros pode ser o diferencial entre o sucesso e o fracasso de um novo empreendimento ou ideia.

Em seu livro “Empresas Exponenciais”, o autor Salim Ismail mostra diversos exemplos de empresas que enfrentaram dificuldades por não observar os movimentos do mercado, e afirma que aqueles que conseguirem aprender com esses acontecimentos, certamente terão um diferencial competitivo.

No livro, entre os famosos exemplos citados pelo autor estão os da Kodak e da BlockBuster, mas dois em especial são emblemáticos: os da Iridium e da Nokia.

A Iridium, empresa criada pela Motorola no final da década de 1980, utilizaria uma rede de 77 satélites que seriam distribuídos pela órbita terrestre (77 é o número do Iridium na tabela periódica dos elementos) para garantir que todos os lugares do planeta teriam cobertura de telefonia móvel. Para suportar essa ideia, os analistas utilizaram os custos da época para a construção de antenas de telefonia celular, em áreas remotas e concluíram que seria muito menos custosa a estratégia dos satélites. O que eles não previram foi que, com o passar do tempo, o avanço da tecnologia permitiria uma redução drástica nos custos de instalação das antenas, bem como o aumento das velocidades de conexão conquistado através dessa estrutura.

O caso da Nokia é outro exemplo com o qual podemos aprender muito! No início de 2007, quando a Apple anunciou o lançamento do iPhone, a estratégia da Nokia – até então líder em telefonia celular no mundo – foi proteger seu mercado comprando a Navteq, empresa de navegação e mapeamento que possuía uma rede de sensores de tráfego instalada em toda a Europa. Com esse controle, a Nokia entendeu que os usuários iriam utilizar mapas em seus smartphones e o controle dos sensores físicos seria um diferencial competitivo naquele novo mercado. O que eles não previram foi que cada smartphone poderia se transformar em um sensor móvel, possibilitando uma rede muito superior e mais precisa do que a da Navteq. E foi justamente o que aconteceu: nessa mesma época, em Israel, era fundada uma empresa chamada Waze. Todos conhecem o restante da história.

E afinal, o que esses casos tão emblemáticos podem nos ensinar?

Que em um novo mercado, a tomada de decisão não pode partir das mesmas premissas que utilizávamos anteriormente. Quando analisamos apenas dados históricos para prever o comportamento de qualquer cenário, estamos deixando de lado um fator extremamente relevante: a velocidade da inovação! Mas como fazer para considerar essa variável em nosso planejamento?

É claro que é importante o investimento em sistemas de análises preditivas, e se possível com Inteligência Artificial e Big Data, mas, contar com uma equipe que entenda o novo cenário e possa trabalhar os dados de forma correta e abrangente, é fundamental.

Novamente voltamos ao papel principal de um líder: trazer, manter e desenvolver bons talentos para sua equipe, criando um ambiente favorável a novas ideias e à diversidade de profissionais, para que todos os cenários sejam previstos e analisados.

Com a velocidade com que a tecnologia avança e novas ideias são colocadas em prática diariamente, é muito difícil prever qual será a nova “onda do momento”, mas os exemplos nos mostram que apenas olhar o passado para prever o futuro pode ser um grande erro.

Entender essas mudanças e criar uma equipe que apoie as empresas para superar as novas exigências do mercado são papéis de qualquer líder que não pretende ver sua empresa destruída por um possível incêndio.

EMPRESA ALTAMENTE RECONHECIDA