Neste mês, destacamos mais uma data significativa na agenda da diversidade: em 29 de janeiro, comemora-se o Dia Nacional da Visibilidade Trans, que representa um marco importante na batalha pelos direitos de travestis, transexuais e transgêneros, população que, frequentemente, enfrenta violência e preconceito no Brasil, país que lidera as estatísticas globais de crimes por transfobia.

Segundo o Dossiê Assassinatos e Violências contra Travestis e Transexuais Brasileiras da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), em 2022, 131 pessoas trans e travestis perderam suas vidas devido à violência no país. Diante dessa triste realidade é preciso que movimentos sociais, empresas e sociedade se mobilizem para acabar com a transfobia, criando, efetivamente, mais oportunidades para que essa população viva de forma plena e digna, o que inclui acesso e melhores oportunidades no mercado de trabalho.

Quando o assunto é Diversidade e Inclusão nas empresas é crucial abraçar um universo vasto de possibilidades. A diversidade vai além de uma simples estratégia de recursos humanos; trata-se de uma abordagem que enriquece o ambiente de trabalho e contribui para uma sociedade mais justa e igualitária. Nesse contexto, é fundamental ampliar a visibilidade e inclusão da comunidade LGBTQIAPN+, especialmente das pessoas trans, que seguem à margem das oportunidades de emprego.

Apesar dos desafios enfrentados por essa população, importantes representantes têm dado voz e visibilidade a essa causa. Empresas que reconhecem a importância de empregar profissionais trans podem contar com grupos de apoio e consultorias especializadas no processo. Além disso, investir na sensibilização do público interno é essencial para garantir um ambiente de trabalho acolhedor para todos.

Os benefícios para as empresas que diversificam suas equipes vão muito além do impacto financeiro, já confirmado por diversos estudos ao redor do mundo. Ao se posicionar como inclusivas, as organizações reforçam sua marca no mercado, estabelecendo conexões mais profundas com clientes e consumidores que se identificam e valorizam o compromisso com a diversidade.

Analisando os esforços que as empresas têm empreendido para incluir profissionais trans em seus quadros, é possível enxergar um cenário promissor, mas ainda muito tímido. É importante acelerar esse processo e acredito que isso não avance mais por conta da persistência de tabus em torno das pessoas trans.  A solução: desmistificar essa questão, compreendendo as implicações físicas, psicológicas e legais envolvidas nessa exclusão.

Para avançar no tema, os profissionais de RH têm papel crucial, sendo essencial lembrar que a contratação deve se basear nas habilidades e competências do candidato, sem considerar sua orientação sexual, identidade de gênero, raça ou religião. Dessa forma, é possível criar um ambiente de trabalho livre de estereótipos e preconceitos, promovendo a verdadeira inclusão.

Como especialista, acredito que um dos principais desafios para atingir um patamar mais alto de inclusão – não apenas da comunidade trans, mas de maneira geral no Brasil – é a educação. O país ainda carrega uma herança cultural que valoriza a homogeneidade, tornando a aceitação das diferenças um desafio. A educação acessível a todos é a chave para romper essas barreiras, proporcionando uma mentalidade mais aberta e inclusiva.

Embora a geração mais jovem demonstre maior flexibilidade em relação à diversidade, ainda existem bolhas de resistência, principalmente relacionadas à classe social. Assim, a promoção de uma educação mais inclusiva e acessível é fundamental para criar uma sociedade verdadeiramente equânime.

Para promover a inclusão e valorização da diversidade de forma plena, as empresas precisam vencer os vieses inconscientes, tanto nos processos seletivos como na gestão como um todo, já que não adianta um profissional ser aprovado no processo, chegar no trabalho e sua liderança ou equipe não saberem lidar com ele, não acolher e não usar o pronome certo quando se referir ou conversar com esses profissionais. Diante dos vários desafios, a empresa precisa atuar de forma que todos obtenham autoconhecimento, reconhecendo preconceitos e trabalhando ativamente para superá-los.

Já os processos seletivos devem focar nas habilidades e competências dos candidatos, destacando que a identidade de gênero não tem mais relevância do que qualquer outro aspecto pessoal não relacionado ao trabalho.

Para quem está buscando criar ou aprimorar projetos de Diversidade dentro da agenda ESG para 2024, recomendo buscar conhecimento e a contratação de consultorias especializadas, ambos passos essenciais na jornada em prol da inclusão.

Reforço que cada empresa é única, com suas próprias realidades e desafios. Portanto, é fundamental conhecer o público interno, identificar lacunas em termos de diversidade e encontrar as melhores formas de inclusão para aquele contexto específico.

Em última análise, a inclusão é uma jornada contínua, e os profissionais de Recursos Humanos são peças-chave nesse processo. Ao liderar essa mudança, eles garantem que suas empresas estejam na vanguarda da promoção da diversidade e inclusão, contribuindo para um ambiente de trabalho mais justo e equitativo.

Taís Rocha de Souza – Psicóloga, especialista em Diversidade e Diretora de Operações do Grupo Soulan

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