O mercado de trabalho tem se mostrado cada vez mais desafiador. De um lado, há aqueles que buscam uma oportunidade para ingressar numa empresa; de outro, os que já estão contratados tentam se manter relevantes, eficientes e produtivos diante das constantes novidades que surgem quase diariamente.

A transformação digital e a globalização têm alterado profundamente a dinâmica do mercado de trabalho, exigindo adaptação rápida e aprendizagem contínua. Adquirir novas habilidades não é apenas uma opção, mas uma necessidade imperativa para a manutenção de qualquer posto de trabalho.

É justamente nesse cenário desafiador que dois conceitos têm se destacado nos debates sobre as tendências em gestão de pessoas: o upskilling e o reskilling.

Upskilling é o processo de adquirir novas habilidades ou aprimorar habilidades existentes para se manter atualizado com as mudanças no mercado de trabalho ou nas demandas de uma função específica. Já o reskilling envolve a aquisição de um conjunto completamente novo de habilidades para atuar em uma função diferente daquela que o colaborador estava acostumado a desempenhar. Isso é frequentemente necessário quando a empresa, a função ou a área passam por mudanças significativas devido aos avanços tecnológicos, mudanças no mercado ou outros fatores.

Profissionais que investem em atualização contínua de novas habilidades conseguem se adaptar melhor às mudanças, garantindo sua relevância no mercado de trabalho. Por outro lado, as empresas que promovem essas práticas alcançam resultados mais satisfatórios, pois contam com colaboradores capacitados e prontos para enfrentar novos desafios.

Esses dois novos conceitos do RH estão diretamente relacionados ao Treinamento e Desenvolvimento (T&D), área que no Brasil ainda é pouco valorizada pelas empresas. Prova disso está na pesquisa Panorama do Treinamento no Brasil, realizada pela Integração Escola de Negócios. O estudo revela que os Estados Unidos lideram quando se trata de investimento em capacitação da força de trabalho, tanto em recursos financeiros quanto em tempo dedicado. Lá, são investidos em média 4,62% da folha de pagamento anual em T&D, enquanto no Brasil esse valor é de 2,11%. Ainda segundo a pesquisa, as empresas norte-americanas destinam cerca de 33 horas de treinamento por colaborador, comparado às 23 horas no Brasil, uma diferença de mais de 40%.

Graças à valorização e ao investimento maciço em T&D, as grandes empresas norte-americanas se destacam no mercado mundial e estão consistentemente classificadas entre as melhores para se trabalhar.

Bons exemplos de empresas que não economizam quando se trata da educação continuada de suas equipes são Microsoft, Google, Amazon e Apple, que investem em plataformas e programas de treinamento para aprimorar as qualificações de suas equipes e valorizar ainda mais suas marcas. Fora da área de tecnologia, gigantes do varejo, manufatura e TI, como Walmart, GE e IBM, também se destacam nesse tema.

Para que as empresas permaneçam relevantes em seus mercados de atuação, é crucial investir na capacitação de suas equipes. Adotar estratégias para desenvolver esses novos conceitos junto aos seus times é o caminho mais curto até o sucesso. Isso pode ser feito de várias maneiras, mas primeiramente é preciso identificar as necessidades de treinamento da equipe, selecionar e produzir conteúdo relevante e planejar programas de desenvolvimento como workshops, coaching e mentoria individual ou em grupo.

A área de Recursos Humanos ou de Gestão de Pessoas tem um papel fundamental nesse processo, que deve ser realizado em parceria com os gestores e líderes. Por estarem presentes no dia a dia das equipes, eles conhecem e podem detalhar as necessidades de desenvolvimento de cada colaborador, liderando a execução dos programas de capacitação.

Em um cenário com alta competitividade, investir em upskilling e reskilling se torna vital tanto para profissionais quanto para empresas. Em um mundo onde o trabalho está em constante transformação, essas práticas garantem que todos estejam preparados para os desafios futuros. Empresas que adotam essas estratégias não apenas melhoram o desempenho de seu pessoal, mas também fortalecem sua posição competitiva no mercado.

Priscila Zanforlin – Psicóloga especializada em comportamento humano (organizacional e educacional) e consultora da Thomas International Brasil.