O trabalho temporário faz parte da rotina de muitas empresas, mas ainda é acionado de forma equivocada, apenas quando a pressão por atender demandas sazonais aumenta. Para as organizações que atuam com esse modelo, a diferença entre dar certo ou não está no planejamento. Quando bem estruturado, o trabalho temporário deixa de ser resposta à urgência e passa a ser uma ferramenta estratégica de gestão, capaz de sustentar picos de demanda, projetos específicos e oscilações de mercado com agilidade operacional e segurança jurídica.
Esse formato de contratação vem ganhando escala no Brasil. Estimativas da Associação Brasileira do Trabalho Temporário (ASSERTTEM) indicam que, apenas no último trimestre de 2025, mais de 522 mil contratos temporários foram registrados no país, impulsionados pelo consumo de fim de ano, datas comerciais, crescimento do e-commerce, projetos pontuais e substituições de colaboradores. O dado reforça a relevância do trabalho temporário em um cenário de demanda cada vez mais volátil.
O modelo é especialmente eficiente em situações transitórias e sazonais, funcionando como força complementar à estrutura fixa. O principal erro das empresas ainda é tratar a contratação temporária como ação emergencial, sem planejamento prévio. Quando isso acontece, aumentam os riscos de baixa produtividade, desalinhamento comportamental e perda de eficiência, impactando inclusive a taxa de efetivação, mesmo sabendo que cerca de 22% dos profissionais temporários podem ser absorvidos quando apresentam desempenho consistente.
Para evitar esse cenário, a estratégia precisa começar antes da abertura das vagas. É fundamental dimensionar volume de profissionais, turnos e jornadas, prazos contratuais, metas operacionais e custos logísticos, sempre respeitando as regras legais específicas do regime temporário. Também não existe um percentual único ideal de temporários por área: o equilíbrio depende da previsibilidade da demanda, da criticidade das funções e da curva de aprendizado exigida.
A decisão de efetivar ou encerrar um contrato temporário deve ser orientada por dados. A efetivação faz sentido quando a demanda deixa de ser transitória e o profissional demonstra desempenho consistente. Isso reforça o papel do trabalho temporário como porta de entrada para o emprego formal, algo recorrente nos dados públicos do Novo Caged, do Ministério do Trabalho e Emprego.
Para evitar falhas e retrabalho, é essencial que responsabilidades, indicadores de desempenho, jornadas, prazos, fluxos de comunicação e regras legais estejam claros desde o início. A legislação brasileira assegura ao trabalhador temporário registro formal, remuneração equivalente à função, jornada definida, pagamento de horas extras, FGTS, INSS e benefícios aplicáveis, exigindo atenção constante à conformidade jurídica.
Os resultados mudam significativamente quando o profissional temporário é integrado como parte do time, e não tratado como plano B. Essa integração impacta produtividade, continuidade operacional e qualidade das entregas. Garantir uma boa experiência ao longo de toda a jornada, contemplando onboarding estruturado, comunicação clara, acompanhamento de desempenho e encerramento transparente do contrato fortalecem a marca empregadora e ampliam as chances de retenção e efetivação.
Já ficou para trás a visão do trabalhador temporário como simples “tapa-buracos”. Em um mercado cada vez mais dinâmico, esse modelo de contratação precisa ser encarado de forma estratégica por empresas que desejam se posicionar não apenas pelo que produzem, mas pela forma como planejam suas contratações.
Nesse contexto, contar com a expertise de quem atua há quase 40 anos com excelência e assertividade prestando serviços para contratações temporárias pode ser o diferencial entre reagir às demandas do mercado ou avançar com agilidade rumo a resultados sustentáveis.
Tatiana Oliveira, Gerente de Contas do Grupo Soulan