O Brasil enfrenta um cenário preocupante no que diz respeito à retenção de talentos. Dados do CAGED mostram que, em setembro de 2024, 38,5% das demissões foram voluntárias — o maior índice já registrado. No panorama global, o país lidera uma taxa de rotatividade voluntária de 56%, superando nações como Reino Unido (43%), França (31%) e Bélgica (45%).
Em contraste, nos Estados Unidos, o número de desligamentos voluntários se mantém estável, com cerca de 3,3 milhões em janeiro de 2025, segundo o Bureau of Labor Statistics. Esses dados reforçam a necessidade de revisão nas práticas de gestão de pessoas, considerando que um índice de rotatividade saudável fica, no máximo, em 10%.
Transformação cultural e valorização do propósito
A alta rotatividade reflete uma transformação cultural em curso: os profissionais valorizam, cada vez mais, ambientes que ofereçam bem-estar, propósito e alinhamento entre valores e trabalho. Empresas que negligenciam culturas organizacionais mais humanas, equitativas e acolhedoras tendem a perder a capacidade de atrair e reter talentos.
Diversidade e inclusão deixaram de ser pautas sociais para se tornarem estratégias empresariais. Ambientes que valorizam diferentes trajetórias e identidades estimulam o engajamento — quando os colaboradores se sentem respeitados, representados e reconhecidos, há maior disposição para contribuir com o crescimento da organização a longo prazo.
Equidade na jornada do colaborador
Reduzir a rotatividade, especialmente entre talentos diversos, requer um olhar atento a toda a jornada — desde a seleção até a construção de planos de carreira justos e acessíveis. Ferramentas de avaliação psicométrica, aliadas à transparência, flexibilidade, atenção à saúde mental e inclusão de diferentes realidades familiares, fazem diferença principalmente para grupos historicamente marginalizados. Nada disso, porém, é possível sem o envolvimento efetivo da liderança.
A importância da representatividade nas lideranças
A representatividade em cargos de liderança é fundamental para inspirar e mostrar que há espaço para todos crescerem. O programa "Empodera TRT-13", do Tribunal Regional do Trabalho da Paraíba, é um exemplo desse impacto: no biênio 2023/2024, mais de 50% dos cargos de liderança de nível formação foram ocupados por mulheres.
Apesar de representar 55,5% da população, pessoas negras ainda têm baixa presença em cargos de liderança. De acordo com o Perfil Social, Racial e de Gênero das 1.500 Maiores Empresas do Brasil, do Instituto Ethos (set/2024), 64,2% das empresas têm ações de diversidade, mas apenas 5,9% dos cargos em conselhos e 13,8% nas diretorias são ocupados por pessoas negras — reflexo que também aparece na base, com 70,8% entre trainees e 60,8% entre estagiários.
Em um cenário de mudanças constantes e exigências cada vez maiores por parte dos talentos, diversidade e inclusão não são apenas tendências. Organizações que constroem ambientes mais diversos e inclusivos se posicionam de forma sólida diante dos desafios do futuro.
